sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Em cartaz na Bozolândia...


Não basta ser ridículo


Thomas de Toledo

Que cena patética, essa foto do Bolsonaro acompanhado de seus gangsters. Mostra exatamente o que ele é: aparentemente um presidente (paletó por cima), na prática um charlatão (camiseta falsificada do Palmeiras), que não passa de um pé de chinelo (sem comentários!), rodeado de corruptos que não sabem nem o que é a obra de arte ao fundo. Não basta ser ridículo. Tem que se vestir de ridículo.

Jovem morto no Extra não tentou pegar a arma do segurança bolsonarista

Diário do laranjal

Diário do Bolso

Diário, que dia feliz!

Eu estava na dúvida sobre o que fazer com o Bebbiano. Demito ou não demito? Se eu não demito, deixo de ser mito? Ou eu minto e digo que não demito e depois demito?

Mas agora há pouco a gente se encontrou e a conversa foi assim:

- E aí, Presida! Estava elegante naquela foto, hein? Só você para combinar papete, blaiser, calça de abrigo e camisa do Palmeiras.

- Boa tarde, Gustavo.

- Gustavo? Que frescura é essa? Você só me chama de Bebbi, lembra?

- Chamava, Gustavo, chamava. Você tinha que ter se demitido. Hoje em dia você é um leproso morfético. E a coisa não pode respingar em mim.

- Suco de laranja não mancha, kkkkk!

- Não tem graça, Gustavo. Com que moral que eu vou ficar se não punir alguém?

- Mas Presida, por que eu? O Marcelo Álvaro, do Turismo, fez a mesma coisa e nada. O Bivar contratou a empresa do filho por 250 mil e nada! O Onyx só pediu desculpa e nada. O Moro recebeu o pessoal da Taurus e nada. Só eu que vou ficar de Judas?

- Alguém tem que ser o... A gente fala boi expiatório ou bode de piranha? Tanto faz. Alguém tem que pagar pra não dar a impressão de impunidade.

- Presida, não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado.

- Às vezes dá, para manter o respeito.

- Eu vou cair atirando.

- Se o assunto é milícia vai falar com o Flávio.

- Eu quis dizer que vou abrir o bico. Sei de tudo. Até a cor da sua cueca.

- Mas, mas... O que que eu posso fazer, Bebbi?

- Deixa o tempo passar. O pessoal esquece das coisas. Por exemplo, ninguém fala o que está acontecendo com a lama de Brumadinho. Ela ainda está avançando, mas o pessoal já esqueceu.

- Pô, eu sou homem de palavra. Já prometi sua cabeça.

- Que palavra o quê? Em 2017 você disse que se aposentar aos 65 anos era uma falta de humanidade e agora fala que está tudo bem.

- Não sei, Bebbi, não sei...

- Faz o seguinte: diz que o Moro vai investigar e que você vai esperar o resultado da investigação. É simples, Presida!

- Mas e se o Moro descobrir alguma coisa? – eu perguntei.

Ele ficou uns segundos em silêncio até entender a piada. Aí explodiu numa gargalhada e a gente se abraçou.

Como é linda a amizade, Diário!

Segurança do Extra que matou jovem é bolsonarista


Nilson Lage

O sujeito dá um golpe -- "mata-leão", uma espécie de "gravata" com sobrepeso-- e enforca, na maior covardia, um rapaz de 19 anos,em frente à mãe, que rogava, e aos circunstantes que lhe pediam que largasse a vítima..em um supermercado carioca onde o criminoso trabalha como segurança.

O crime foi gravado em vídeo.

Na delegacia, onde se livrou pagando fiança de dez mil reais, Davi Ricardo Moreira Amâncio contou uma história sem pé nem cabeça; . O ponto alto da fábula é a afirmação de que Pedro Henrique Gonzaga, enquanto estrebuchava."estava simulando". Simulou tão bem que morreu.


O espancamento brutal de um cachorro, há dias, em outro supermercado da cidade, teve enorme repercussão entre indignados defensores dos animais.

Estamos em plena temporada de caça aos pobres -- mais indefesos do que vira-latas.

O governo Bolsonaro não precisa de inimigos


O desmanche do governo
Luis Nassif

O governo Bolsonaro não precisa de inimigos. Ele e a família se bastam. Imaginava-se que o primeiro mês de governo seria das cabeçadas. Depois, haveria uma articulação inicial para começar a implementar seus diversos sacos de maldade.

O episódio Bebianno mostrou que Jair e filhos são incontroláveis.

Como se recorda, a Folha denunciou o desvio de verbas partidárias para laranjas do PSL. Imediatamente, Carlos Bolsonaro – o filho pitbull – apontou o dedo para Gustavo Bebianno, Secretário Geral da Presidência. Para se proteger, Bebianno declarou ter conversado três vezes durante o dia com o pai de Carlos. Carlos desmentiu e o pai de Carlos confirmou o desmentido.

Frágil até a medula, o pai de Carlos anunciou que esperava chegar em Brasília com Bebianno fora do governo. Sabendo no tête-à-tête o pai de Carlos é frágil, Bebianno disse que só sairia depois de conversar pessoalmente com o pai de Carlos.

O pai é emocional e politicamente dependente dos filhos. E os filhos são completos sem-noção. O governo Bolsonaro não sobrevive com os filhos no centro dos acontecimentos. E o pai não sobrevive sem eles. Como é que se resolve esse drama nelsonrodriguiano?

Texto completo AQUI

A chinelagem no poder

Jorge Furtado

O presidente da república participar de uma importante reunião ministerial, que pode definir os rumos da previdência social do país, vestindo a camiseta de um time de futebol, é um retrato da indigência moral e mental deste governo. O fato da camiseta ser falsificada, e portanto ilegal, é o detalhe tragicômico nesta chanchada canhestra que tomou conta do país, com a cumplicidade criminosa dos papagaios de aluguel da imprensa.

Horóscopo: Taurus


Polícia do Rio protege Flávio Bolsonaro e milicianos


Você é delegado, tem recursos e equipe limitados, e duas linhas de investigação sobre Marielle: Marcello Siciliano (investigado há meses e com indícios frágeis) e Flavio Bolsonaro (que empregou a mãe e a esposa de um dos homens apontados como o assassino). Quem você investiga?

Você é esse mesmo delegado e, depois de tudo o que se sabe hoje, precisa investigar possíveis mandantes da facada em Bolsonaro. Quem você investiga: o PSOL ou as milícias?

Não parece tão difícil escolher.

As ilações da família B em relação à facada + PSOL não levariam nem mesmo o mais inexperiente dos investigadores a apostar nisso. Já o possível envolvimento do PCC parece a saída perfeita. Pode ser? Pode, ora. Mas de novo: a família está mais próxima de milicianos ou do PCC?

Então de novo: estamos falando em investigações. Você é delegado. Investiga quem? Onde estão os elementos mais sólidos para uma investigação (que pode não dar em nada, claro, mas esses crimes precisam ser investigados). PSOL ou milícia? Marcello Siciliano ou Flávio Bolsonaro?

Ninguém vai mexer com isso, sei. Estou apenas apontando o caminho mais lógico de uma investigação, que sempre aposta nas melhores possibilidades já que não pode investigar tudo. Todos são inocentes até prova em contrário, mas indícios a gente não varre pra baixo do tapete. Ou sim.

Bolsonaro usa camisa falsificada do Palmeiras em reunião sobre Previdência


Com predominância da cor verde-limão, modelo é uma cópia de uma camisa utilizada pelo clube em algumas partidas na temporada de 2010


Será que a camisa falsificada foi presente de algum miliciano que tem conexão com um quadrilha de roubo de carga? É só uma hipótese.



O rapaz, que saiu do hospital há 24 horas após seções de quimioterapia, vai decidir sobre o projeto que é a maior imposição do "mercado" e interfere na vida de todo o brasileiro. Aí você olha e ele está com a camisa de treinos do Palmeiras (falsificada) e chinelos havaianas.

Respeite o Brasil, imbecil!

Quase lá

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Sai de baixo!


Se Bolsonaro não for retirado do poder, os estragos serão irreparáveis


Bolsonaro já fez o seu papel
Jair Bolsonaro realizou com impressionante sucesso a única coisa que poderia realizar no Brasil: destruiu a direita.
por Fernando Horta

A direita brasileira vinha fazendo um excelente planejamento para voltar ao poder, desde 2013. Aproveitara a anencefalia dos protestos de 2013, reduzira a taxa de aprovação de Dilma Rousseff para menos da metade do que era, e direcionaram a ira do povo contra um partido. A derrota eleitoral de 2014 deveria ter sido vista como apenas um contratempo no projeto da retomada do poder.

O plano era sangrar Dilma Rousseff por longos quatro anos. A inteligência sórdida de Cunha como chefe da Câmara travava o governo, a associação com os meios de comunicação mantinha os históricos laços de controle sobre a população firmemente assentados nas mãos dos detentores do capital, e o choque internacional da economia (com redução da demanda de todos os parceiros comerciais brasileiros) fazia com que a economia brasileira sentisse demais o baque. 

Cunha controlava as “pautas-bomba”, ampliando sorrateiramente o gasto do governo enquanto travava a aprovação de medidas que poderiam dar algum fôlego à Dilma. Era um torniquete a longo prazo difícil de se desvencilhar. O PT estava em alguma medida rachado, Lula se mantinha afastado do governo de Dilma, e as preferências políticas e técnicas da presidenta eleita não eram efetivamente um sucesso entre os militantes e correligionários.

Levy, Kátia Abreu, Traumann e vários outros nomes desgastavam Dilma e, ao mesmo tempo, davam munição de para Alckmin, Serra e até Aécio. Os anos dourados do governo Lula davam sinais de que haviam acabado e seria necessária uma dose imensa de carisma, capacidade política e criatividade para fazer a roda dos governos de esquerda girar novamente. Tudo o que Dilma demonstrava não dispor.

A linha auxiliar do judiciário seguia incólume e fazendo estragos. Moro, como juiz-justiceiro numa espinha dorsal composta ainda por seu amigo Gebran e Thompson Flores no TRF4, assegurava que a legitimidade das ações criminosas da célula de Curitiba seguiria intocada. No STF, a dobradinha Gilmar Mendes Dias/Toffoli seguia afinada e garantia que nenhum “fogo amigo” atingisse os “amigos do rei”. Habeas Corpus, pedidos de vista, arquivamentos, dilações de prazo e toda sorte de malabarismos judiciais eram lançados para manter sob fogo cerrado os políticos da esquerda e, só os políticos da esquerda.

O alto empresariado havia cooptado o médio e pequeno, convencendo-os do engodo de que “todos tinham os mesmos interesses”, e estes eram “tirar o PT”. Sem conhecimento suficiente para compreender que o médio e pequeno empresariado vive do poder de compra da população, a histeria alucinada do anticomunismo fazia o discurso do Seu Chico, que tinha oficina mecânica para carros usados, ser o mesmo do dono da AMBEV. “Tirar o PT” e “acabar com a “mamata” eram as bandeiras que pareciam unificar os diferentes estratos da sociedade governo. Não havia nada de lógico, empírico ou real nelas, mas, controlados, os que acreditavam nestas sandices eram úteis aos planos da direita.

A estratégia era de médio a longo prazo e prometia varrer definitivamente a esquerda do poder. Com Gushiken morto, Genoino, Dirceu e Lula acuados nas ilegalidades judiciais, o PT padecia de agilidade política, experiência e robustez de ação institucional. O governo Dilma ressentia-se de não ter mais entrada no legislativo ou no judiciário e todos os analistas previam um inverno duro para o Partido dos Trabalhadores que ainda tinha que lidar com os problemas de um partido imenso, cheio de correntes internas e que, muitas vezes, não conseguia consenso suficiente para as ações políticas requeridas nos momentos necessários.

Em março de 2017, na comemoração de aniversário de um figurão jornalista, Aécio perguntava à nata da politicagem da direita ali reunida: “Vamos abrir espaço para um aventureiro salvador da pátria?” Era a justa preocupação daquele que em não tendo a retidão moral e consciência histórica do avô, aprendeu a fazer um tipo de política “epidérmica”, que garantia insights de sobrevivência.

Aécio estava certo. E, após ser escorraçado de uma manifestação da “nova direita” na avenida Paulista, ele e o governador Alckmin devem ter sentido um frio na espinha. Haviam ido longe demais?

É fácil teorizar na vaidade de Aécio, na ganância desmesurada de Serra e no deslocamento geográfico-político de Jereissati para assumir o poder nacional, mas a verdade é que o desespero de Temer, Jucá, Eliseu Padilha, Geddel e Moreira Franco pisavam fortemente no acelerador do carro que embarcavam de carona. A trupe do PMDB não estava contemplada no planejamento a longo prazo, especialmente porque todos estavam imbricados em antigos e conhecidos escândalos de corrupção. E, se Dilma devotava seu mandato a alguma coisa, era “limpar o Brasil”. Graça Foster, na Petrobrás, foi um sinal bastante eloquente.

Além do instinto de sobrevivência do fisiologismo histórico do PMDB, o pré-Sal e o crescimento geopolítico da China jogavam mais gasolina na fogueira. Os EUA precisavam garantir um suplemento de petróleo em caso de conflito (sempre em mente) entre eles e China e Rússia. As rotas vindas do oriente médio seriam imediatamente fechadas pelos “inimigos” e a máquina de guerra americana corria o risco de ser asfixiada. A América Latina e, mais especificamente, a Venezuela, tinham que voltar a ocupar seus lugares de submissão complementar aos EUA. Lula, Chavez, Evo Morales, Rafael Correa, os Kirchner e Mujica se afinavam no discurso anti-imperialista e fechavam as portas da submissão passiva.

De repente, todos acertaram seus ponteiros no credo de que a queda de Dilma e a prisão de Lula resolveria todos os problemas. Esqueceram-se de pensar o depois. Um erro comum em todas as ações de intervenção política no século XX e XXI. Para derrubar Dilma, contudo, apenas as forças em questão pareciam não ser suficientes. O judiciário não poderia ser torcido aos interesses de Moro, Gebran e Thompson Flores sem um intenso apelo midiático. A mídia não queimaria sua imagem de “equidistância” sem a certeza de que haveria um ganho certo ao final da “missão”. Era preciso vozes nas ruas, almas e braços que se dispusessem a ir aos milhões completar a força necessária para criminalizar e afastar um projeto de governo que tinha sido só sucesso durante quase 13 anos.

O pacto desta direita liberal com os grupos neopentecostais e neofascistas, utilizando-se dos canais de comunicação destes, cumpria o papel de apressar a queda de Dilma. Contudo, estes novos grupos se contentariam com abraços e tapinhas nas costas depois do golpe concluído? Janaína Paschoal, por exemplo, faria toda a encenação jocosa da “República da Cobra” por trinta “dinheiros” e só? Alexandre Frota, Olavo de Carvalho, Kim Kataguiri, Joice Hasselmann se conformariam com o “dever cumprido”?

Era este o sentido da pergunta de Aécio.

A resposta é evidente hoje, mas também já era naquela época. Hipotecar legitimidade política da nação na mão de mentecaptos e energúmenos pode cumprir funções táticas de curto prazo, mas exige um preço impagável a longo. Toda a historiografia sobre nazismo e fascismo fazia esta advertência. Há limites civilizatórios cujo custo de ruptura é por demais alto. Nos EUA, por exemplo, os democratas não quiseram pagar. Trump governa com escândalos e mais escândalos em todas as áreas imagináveis. O impeachment é uma vaga ameaça. Do alto dos seus 243 anos de democracia, as elites econômicas e políticas de lá sabem que é melhor uma democracia ruim comandada por opositores políticos do que o autoritarismo ou o pulo no escuro da ruptura institucional.

Bolsonaro completa pouco mais de 40 dias de governo e a direita brasileira é uma terra arrasada. FHC, Serra, Alckmin, Aécio, Temer, Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e outros falam sozinhos, sem significação ou força. A cena do lançamento da candidatura de Aécio ao cargo de Deputado Federal é a síntese do que aconteceu com a direita. O preço da hipoteca institucional para prender Lula e desmantelar o governo Dilma é a morte política do liberalismo e sua substituição pelo tosco, pelo bruto, pelo incapaz e inconsequente.

Bolsonaro não tem estofo para governar, não sabe se cercar de inteligência institucional para que se possa minimamente dizer que seu governo será “ruim”. Ainda, como partícipe sujo do baixo clero por anos, suas vidraças são muito frágeis. Em trinta dias, o conglomerado de mídia e o capital tentam colocar senso no fascista, apertando os ataques sobre seu filho e as relações com corrupção e milícias. Senso este de que foi imbuído subitamente o vice Mourão. Vendo-se fiador institucional de um bando de loucos, Mourão tenta salvar sua biografia e a imagem do exército. A missão seria difícil até mesmo para uma pessoa sensata e capaz.

Em pouco mais de 40 dias, Bolsonaro demonstra a total incapacidade de governar. Seus filhos acreditam-se príncipes herdeiros, donos de uma “capacidade técnica” e conhecimento que lhes permite transitar entre várias áreas do governo, com a desenvoltura de um rinoceronte com gota. Os supostos “especialistas” conseguem ser ainda mais caricatos e incompetentes do que os membros da “famiglia”. Damares, Ernesto, Ricardo Salles e o colombiano que pensa que está numa viagem antropológica comandando a Educação do país asseguram a chance zero de qualquer coisa neste governo funcionar.

Com a direita arrasada, e o regime fascista envergonhado batendo cabeça e naufragando por completo, a esquerda se revigora. O PT segue vivo e como o maior partido de esquerda da América Latina. O PSOL se fortalece com novos e combativos nomes no Congresso. A aliança de esquerda não somente sobrevive, como se fortalece. O futuro do governo Bolsonaro é acabar na vergonha do fracasso e permitir o retorno da esquerda ou ceder a uma ditadura escancarada. Mourão é a sempre presente carta da ditadura a ser eventualmente usada.

A questão para o país é, contudo, mais importante. Se Bolsonaro não for retirado do poder, os estragos que ele fará ao Brasil são algo perto do irreparável. A destruição que ele e seus “aliados” promoveram na direita está a ponto de ser feita no país todo. O exército já percebeu que embarcou novamente num enorme erro. Vai ser fiador do fracasso histórico de Bolsonaro, e ficará pelas próximas décadas ligado a nomes como estrambólicos como Damares, Ernesto e Olavo de Carvalho.

Em 64 eles tomaram o poder com Otavio Gouveia de Bulhões, Roberto Campos e Delfim Neto. É indiscutível que o atual regime não tem chance alguma de dar certo.

O que vem por aí não é nada bonito

Gilson Caroni Filho

Globo, Folha e Estadão estão atacando o clã Bolsonaro. Nenhum dos três grupos midiáticos tem apreço pela democracia. Sempre estiveram ao lado de golpistas. No caso do capitão e de seus filhos desastrados o receio é que o desgaste precoce - que já beira o patético- ponha em risco todo o processo iniciado em 2016, com o impeachment da presidente Dilma. Há uma agenda cara ao capital financeiro. Ela contém supressão de direitos e desmantelamento do Estado. Para manter o controle sobre a dinâmica política é necessário tutelar totalmente o fascista eleito ou criar condições para que Mourão assuma o posto. O que está em jogo é isso. Nada mais. 

Como não vislumbro no horizonte possibilidades exitosas de ações contra-hegemônicas, limito-me a achar graça do fogo em extensos laranjais. Sempre fui contra latifúndios. Ainda mais quando são cultivados por milicianos e afins. Mas você, eleitor do bolsomito, tinha noção de que ia ficar exposto a tamanho ridículo? Disfarça, faz arminha e diz que não votou em ninguém. O que vem por aí é triste, mas você não ficou nada bem na foto.

Jogada arriscada

Luis Felipe Miguel

Bolsonaro estava saindo do hospital - após a última sessão de quimioterapia, segundo o relato da Cantanhede - enquanto seu filho praticamente demitia um ministro pelo Twitter.

"Praticamente" porque o Bebbiano fingiu que não entendeu o recado e continua agarrado no cargo. Isso está se tornando rotina no novo governo.

Mas o próprio Jair não só ordenou Moro investigar como disse que Bebbiano poderia "voltar às origens". Imagino que não seja nenhuma metáfora, como "ponta da praia". É só perder o cargo mesmo.

Moro, obediente, disse que investiga sim, porque "o senhor presidente proferiu uma determinação". Deve estar esperando instruções sobre qual deve ser o resultado da investigação.

A jogada é arriscada - afinal, Bebbiano certamente sabe de uma grande quantidade de podres - mas segue uma racionalidade. Bolsonaro posa de intransigente com o laranjal e afastado de todas as maracutaias.

Enquanto isso, do Queiroz, das milicias e das peraltices do garoto que virou senador, nada de nada de nada.

Bastaram 45 dias para Bolsonaro provar que não tem condições de governar o Brasil


Ricardo Kotscho

Quinta-feira, 14 de fevereiro de 2018.

Está na hora de falar português claro, com todas as letras: o capitão reformado Jair Messias Bolsonaro já provou, apenas 45 dias após a sua posse, que não tem a menor condição de governar o país por quatro anos.

O batalhão de  generais que ele levou para o governo já sabe disso.

Eleito presidente da República sem participar de debates, sem apresentar qualquer plano concreto de governo, apenas atacando os adversários e repetindo bordões imbecis nas redes sociais, era uma caixa preta levada pelo voto ao Palácio do Planalto para derrotar o PT.

Agora, que o país vai descobrindo, a cada dia mais assombrado, de quem se trata, não adianta repetir que “é preciso torcer para dar certo porque estamos todos no mesmo avião”.

Não tem como dar certo. Bolsonaro vai pilotando a esmo, sem qualquer plano de voo, desviando das nuvens pesadas em meio a tempestades que ele mesmo e seus celerados filhos não cansam de provocar.

Os militares que o apoiaram sabiam muito bem quem era o capitão reformado pelo Exército aos 33 anos por atos de indisciplina, não podem alegar inocência.

Bastava consultar seu prontuário no breve tempo em que serviu ao Exército.

Mesmo sabendo o risco que corriam, foi a forma encontrada pelos militares e seus aliados daqui e de fora para voltarem ao poder, apenas 34 anos após o fim da ditadura.

Definido pelo general Ernesto Geisel como “mau militar”, Bolsonaro passou sete mandatos escondido no baixo clero da Câmara, sem fazer nada que preste, e resolveu ser candidato apenas por capricho para combater seus inimigos reais ou imaginários.

Fez da campanha eleitoral uma guerra, imitando arminhas com as mãos, e ameaçando fuzilar a petralhada.

Uma vez no poder, continua sua guerrilha nas redes sociais, sob o comando do filho Carlos, mais conhecido por Carlucho, o 02, chamado pelo presidente de “meu pitbull”.

Ao retornar a Brasília nesta quarta-feira, depois de passar 17 dias internado num hospital em São Paulo, recuperando-se da terceira cirurgia, sem passar o cargo para o vice, em quem ele e os filhos não confiam, Bolsonaro encontrou um banzé armado no Palácio do Planalto.

O 02 resolveu detonar pelo twitter o secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, dono do cofre da campanha do PSL, denunciado por variadas falcatruas com a verba do fundo eleitoral.

Em mais uma entrevista à Record, Bolsonaro apoiou o filho e resolveu carbonizar o seu ministro mais próximo, dando uma ideia do clima no Palácio do Planalto.

Bebianno, que deve saber demais, não pediu demissão nem foi demitido até a hora em que escrevo este texto.

Como devem se sentir agora os outros auxiliares do presidente, que nem conhecia a maioria deles, e foi montando seu ministério meio a olho, catando o que de pior encontrou em cada área?

Este já é de longe o pior ministério da história da República. E vai governar com o pior Congresso e o pior Supremo Tribunal Federal que já tivemos.

Com a revelação do laranjal de candidatos bancados com dinheiro público, desviado para gráficas fantasmas, sabemos agora como foi montado o esquema da “nova política”, que levou uma manada de cacarecos para Brasília.

Antes que se pudesse imaginar, eles já estão se engalfinhando por nacos de poder no governo e no Congresso, num clima de desconfiança generalizada, todos andando de costas para a parede.

Twitter, WhatsApp, Facebook, tudo isso pode ser muito bom e bonito para eleger um presidente pelas redes sociais, mas é impossível governar com um celular na mão, sem ter a menor ideia do que se pretende fazer para enfrentar os gravíssimos problemas sociais e econômicos do país.

A impressão que me dá é que Jair Bolsonaro não esperava ganhar a eleição quando se lançou candidato e agora já deve estar arrependido de ter vencido.

De crise em crise, de recuo em recuo, de trombada em trombada, a caixa preta desse circo de horrores vai sendo aberta para espanto do mundo civilizado.

Das duas uma: ou os generais vão tutelar o ex-capitão por mais quatro anos ou o país enfrentará uma crise institucional sem precedentes.

A primeira providência deveria ser tirar os celulares das mãos dos Bolsonaros.

Vida que segue.

A voz da moderação

Gilberto Maringoni

TENTE SE LEMBRAR

Sabe o Mourão?

É, o Mourão, aquele que há três anos pregava o golpe militar?

Sim, o que disse que o décimo-terceiro é uma aberração brasileira ?

E que, na Globo News, contou que seu herói é o Brilhante Ustra?

Isso, aquele que, em entrevista à Piauí, afirmou que os militares venezuelanos deveriam ter matado Chávez no golpe de 2002?

O tipo que arranjou uma boquinha para o filho no Banco do Brasil?

O mesmo que, em entrevista ao Valor, afirmou ser necessário efetuar um "desmonte do Estado".

Mourão, aquele americanófilo ensandecido, lembra?

Lembra?

Pois é, ele é o lado sensato do governo agora...

Laranjas venenosas

A realidade vai mais longe, porque a Câmara está contaminada
Janio de Freitas

A bancada do PSL de Bolsonaro está constituída, na Câmara, com a inclusão de beneficiários de burla eleitoral. E não só eleitoral, por se tratar de atos lesivos aos cofres públicos. Essa é a realidade.

A revelação desta Folha que Bolsonaro considerou acabada, de candidatos-laranjas para tomar dinheiro do fundo partidário, não se soluciona com a responsabilização de um ou outro dirigente do PSL na última eleição. É o que querem os Bolsonaros. Mas a realidade vai mais longe, porque a Câmara está contaminada.

Também não bastam investigações do Ministério Público e da Polícia Federal em Minas e em Pernambuco, estados com a burla de "laranjas" já exposta na Folha. Como o próprio Bolsonaro dirige o indicador para Gustavo Bebianno, hoje secretrário-geral da Presidência e presidente do PSL no ano passado, há mais motivo para suspeitar que a burla rendosa fosse uma orientação ampla. Além disso, o já comprovado desvio de verba eleitoral, para pagamento de gráfica inexistente, atesta um método de desvios para caixa dois ou para bolsos pessoais.

Os eleitos com recursos partidários provenientes de dinheiro público, em montante aumentado por golpe, tiram a legitimidade das votações de que participem. E o provável, com isso, é que sujeitem os resultados a questionamento judicial, para anulá-los. Diante disso, e apesar de mais interessado nas boas relações com Bolsonaro, Rodrigo Maia tem obrigações próprias de presidente da Câmara, e não se justifica sua indiferença ao surgimento do caso.

Ser mais um na série diária do governo Bolsonaro não faz desse um episódio qualquer. Mas, se não houver atenção pública, dos órgãos oficiais não se deve esperar o predomínio da imparcialidade e da lei. Sob o pretexto de "pacificação" e "harmonia", ninguém quer nada. De bom.

LUGAR DO PERIGO

Determinada pelo Judiciário, a transferência de duas dezenas do PCC para Rondônia e Rio Grande do Norte, área já conflagrada, é um teste particular de São Paulo. O acordo do então governador Cláudio Lembo com o PCC foi um gesto responsável e inteligente. Apesar de toda a crítica fácil e da negação posterior dos seus sucessores. As forças paulistas levavam uma tunda feia, atônitas e incapazes de inverter a situação que já seguia para 600 mortos.

Desde então, o acordo prevaleceu por um motivo tácito: falta de segurança para arriscar o enfrentamento com o PCC e seus aliados. Na ânsia de promover-se, João Doria festejou com a arrogância adolescente a transferência de Marcos Camacho, o Marcola, e 21 companheiros para distantes presídios federais. Mesmo recolhidos a presídios semelhantes, Fernandinho Beira-Mar e outros continuam exercendo sua condição de cabeças, em vários sentidos.

Com a transferência de Marcola, o Exército recebeu mais uma função, aliás, sem precedente: carcereiro externo de presídios. No medo extremo criado por um cabeça e 21 companheiros, os militares do governo poderiam ver o Brasil que de lá não veem.

O problema do teste é que não passará nos gabinetes de governo. Será nas ruas e nos prédios da população.

Ideias delirantes de Paulo Guedes não se tornarão realidade com esse desgoverno


Paulo Guedes age mais como guru do que como ministro
Laura Carvalho

Durante a campanha eleitoral, muitos acreditaram que o superministro Paulo Guedes seria o fiel da balança em um governo formado, em sua maioria, por comentaristas de portal.

Hoje, com a vaga sendo disputada até mesmo pelo general Mourão, o ministro encarregado de solucionar a crise continua preferindo impressionar os ultraliberais das redes sociais a dedicar-se a viabilizar propostas.

“Guru financeiro de Bolsonaro planeja perestroika de livre mercado”, diz o título da reportagem publicada no Financial Times na segunda-feira (11) e reproduzida pela Folha, que destaca trechos da entrevista concedida por Guedes ao jornal britânico.

O fato de o ministro da Economia do Brasil ser tratado como um “guru” só não chama mais a atenção do que a desconfiança gerada por algumas de suas falas.

“Vi o Chile mais pobre do que Cuba e Venezuela, e os 'Chicago boys' resolveram. O Chile agora é como a Suíça”, chegou a afirmar o ministro na entrevista. 

Quando os jornalistas lhe perguntaram sobre os custos sociais da agenda, entre os quais a taxa de 21% de desemprego a que chegou o país em 1983, Guedes respondeu que isso é burrice (“rubbish”, em inglês), pois “o desemprego já estava lá. Só estava escondido dentro de uma economia destruída”. “É um ponto de vista controverso”, ressaltou a reportagem eufemisticamente.

Após destacarem a afirmação do ministro de que a guinada à direita depois de 20 anos de ditadura e 30 anos de social-democracia é saudável, os jornalistas tampouco se mostraram convencidos: “Dúvidas ainda permanecem. E a política social, dada a desigualdade escancarada no Brasil?”, indagam.

Um dia antes, a jornalista Míriam Leitão criticou em texto no jornal O Globo o que chamou de “falha na comunicação” do ministro.

Em vez de conceder entrevistas coletivas organizadas para expor as propostas do governo e justificá-las perante a sociedade, facilitando sua aprovação, Guedes tem feito intervenções rápidas quando parado por repórteres ou apresentações para empresários em que joga suas ideias nada plausíveis no ventilador.

O ministro chegou a sugerir, por exemplo, que as mulheres poderiam se aposentar antes a depender do número de filhos, tomando cuidado “com dona Maria que pode ter 13 filhos, não queremos estimular isso”.

Ou que, “quando o patrão fizer alguma besteira” com o jovem que optar por trabalhar por uma tal “porta da direita”, em que não vale a CLT, este terá de recorrer à Justiça comum, e não à Justiça do Trabalho.

“Falta explicar muita coisa. E é nisso que faz falta o contraditório, para que ele informe melhor. O que acontecerá com os direitos trabalhistas que estão em cláusula pétrea da Constituição?”, perguntou-se Míriam Leitão.

“As chances de sucesso aumentam com uma comunicação mais organizada, clara e, principalmente, democrática”, concluiu a jornalista.

Ao se comportar como um “guru” não dotado do pragmatismo necessário para viabilizar sua agenda, Guedes parece operar mais no estilo Mangabeira Unger do que na linha do ex-ministro Palocci —mal comparando, é claro.

Para não cair nas idas e vindas, no disse me disse e na cortina de fumaça que o governo Bolsonaro parece ter importado do trumpismo, resta aos analistas aguardar medidas concretas anunciadas em decretos, projetos de lei ou emendas constitucionais. 

O problema é que, como o muro na fronteira mexicana ou o “brexit”, a agenda econômica de Guedes pode acabar não saindo do mundo virtual em que funciona tão bem.

Em nome do Senhor